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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A relação dos chineses com os logotipos

Num modo geral, os chineses adoram carregar um logotipo pendurado ou estampado em qualquer lugar que o mostre como o dono daquele objeto de consumo e a sua marca. Na realidade isso é uma característica de quase todos os asiáticos.
Mais do que ostentar uma marca e obter um ‘status’ agregado ao seu poder de compra, existe uma ligação intrínseca com a logomarca. Este impacto é relativamente menor no cérebro dos ocidentais. Para os chineses o logotipo tem uma similaridade com o ideograma que é complicado para um ocidental entender num primeiro momento.

O cérebro de um ocidental executa operações aditivas. Quando lê, junta as letras para se tornarem sílabas e as sílabas em palavras, produzindo assim, o significado final. Claro, que tudo isso é automático. É um processo matemático longo contando com o lado esquerdo do cérebro, que contêm a lógica.
Para os chineses, as coisas são muito diferentes. Eles precisam de associar significado com desenhos conhecidos, que designamos de ideogramas.
Então e o que os logotipos têm a ver com isso? Bem, o cérebro funciona por rotinas, por hábitos… Para um chinês que não estudou o alfabeto, entender a junção das letras em sílabas e depois em palavras, é tão complicado como para um ocidental entender os caracteres. Isto porque o alfabeto romano não se encaixa no seu sistema ideográfico.
Como logotipo é um desenho, para os chineses tem um conceito muito mais próximo da sua realidade de ideogramas, que formam os caracteres. O ideograma representa um conceito e não, um simples desenho. Vamos usar o desenho de uma árvore. O ocidental vê um tronco, alguns galhos, folhas e frutos.

Agora vamos pegar o ideograma chinês que representa a árvore 木 (mù): que mostra o tronco, galhos e raízes, ou seja, algo que não costumamos ver – as raízes – mas são uma parte inerente da árvore. Temos, portanto, o conceito de uma árvore, e não a sua representação ilustrada. A escrita chinesa é lida com simbolismo, e não com a reprodução da realidade visível.
Como logotipo é o símbolo de uma marca, transmite ao consumidor a sua presença e o seu conceito. Os logotipos são versões ocidentais de ideogramas. Podemos dizer, que eles partem de um processo muito parecido com o do pensamento chinês. Neste sentido, a mente chinesa não irá identificar claramente as letras, mas o símbolo e associa-lo a uma marca, juntamente com o seu mito.
Deste modo, os logotipos são bem adaptados para o cérebro chinês, que tem muito mais facilidade de usar o hemisfério direito. Este cérebro olha para um logotipo como uma imagem simbólica, e não um conjunto de letras caligrafado. Aqui está o segredo do impacto do logotipo na mente asiática. Tem mais a ver com a maneira como as suas mentes funcionam do que propriamente o desejo de mostrar o poder.
Surge assim também a explicação do porquê da imitação de logos famosos, como o chinês não lê (nos padrões ocidentais), o que fixa é o desenho. Então quanto mais semelhante for o desenho, mais consumidores dessas marcas atraem.

Na minha opinião, nem se trata de uma marca falsificada. O que eles copiam é a ideia do logotipo (incluindo cor, forma e tamanho…), registam-se legalmente e os seus produtos saem com a etiqueta da sua marca. Qualquer semelhança é uma mera coincidência.

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