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quarta-feira, 28 de março de 2012

Yakuza – Um Punho de Valores

Yakuza ou gokudou são uma das organizações tradicionais mais poderosas no Japão, controlando cerca de 80% de diversas actividades clandestinas no arquipélago. Directamente ligados ao crime organizado como actualmente são conhecidos, sua origem remete-se para o início do período Edo (1603-1867) que ficou conhecido pela sua prosperidade económica após uma longa guerra-fria. Diz-se que apesar do bom período, muitos samurais que lutavam contra clãs rivais ficaram “desempregados” caindo desta forma na marginalidade. No final do séc. XVIII, esses samurais deram origem à temida Yakuza.
Yakusa - Máfia japonesa

Suas actividades encontram-se directamente ligadas aos jogos de azar, construção civil, bancos, prostíbulos, agiotagem e tráfico de drogas.
Apesar das suas actividades marginais, Yakuza são muito respeitados pelos japoneses e ocupam um lugar de destaque em diversos segmentos da sociedade e política nipónica. Auto-intitulando-se de organizações cavalheirescas, estes obedecem a uma série de regras bastante rígidas, correspondendo o seu incumprimento a uma dolorosa punição sendo uma das mais conhecidas a yubitsume – consiste na amputação do dedo mindinho como sinal de perdão. Exclusivamente uma sociedade masculina, eles acreditavam que as mulheres não disponibilizavam das capacidades minimamente aceitáveis para integrar nesta colectividade além de que muitos admitiam que o dever destas era tratar dos seus maridos e, consequentemente, criar os seus filhos, não devendo interferir nos negócios dos homens. Motivo pelo qual as mulheres não eram aceites na Yakuza. Actualmente já existem mulheres integradas nesta organização, ocupando algumas delas grandes estandartes, contudo são obrigadas a passar uma série de testes para que possam ser aceites.
Mãos tatauadas de um membro da yakuza

Yakuza podendo ser equiparado a um clã, tem um sistema organizacional como o de uma família, possuindo desta forma várias hierarquias: o oyabun (pai) é o chefe, wakashu são os seus filhos e kyodai são os seus irmãos. Tal como nas famílias tradicionais da sociedade, todos devem obediência e respeito a oyabun, oferecendo, este, protecção a todos do seu clã, como contrapartida. No entanto, Yakuza ainda se pode classificar em mais dois segmentos, aqueles que pertencem a um clã e os autónomos, sendo estes últimos utilizados como intermediários para os seus trabalhos de espionagem e outras actividades aos quais o clã não quer estar directamente ligado.

Uma das grandes características físicas que caracterizam os Yakuza são as suas enormes e significativas tatuagens por todo o seu corpo, sendo os desenhos de dragões, flores, paisagens montanhosas, oceanos agitados e os brasões de suas famílias, os mais usuais. Estas simbolizam a sua entrega total aos valores da organização. Esta tradição foi introduzida pelos bakutos, que faziam um desenho no braço para cada crime cometido. Yakuza em oposição às restantes máfias de todo o mundo, não fazem questão de se esconder da sociedade, sendo os seus membros facilmente reconhecíveis nas ruas japonesas, através da sua postura assim como de outras marcas facilmente identificáveis para quem conhece a história desta organização. Alguns dos exemplos mais básicos são o uso de óculos escuros, as suas tatuagens assim como os seus estabelecimentos devidamente identificáveis com o nome do clã a que pertencem e o correspondente símbolo.
Tatuagem de dragão num ombro de um membro da Yakuza

Presentemente, Yakuza tem vindo a perder o seu lugar privilegiado na sociedade devido à lei japonesa 暴力団排除条例 (eliminar o crime organizado), sendo encarados como uma mal necessário.
Seu futuro não poderemos prever, mas para o bem ou para o mal fazem parte da cultura japonesa.

Quanto a mim, Yakuza não são mais do que o reflexo de uma sociedade firme nos seus valores. Regendo-se por um rígido código de honra que preza a hierarquia e provém de uma cultura de disciplina onde o respeito aos mais velhos e a conduta exigem confiança e respeito, sua continuidade é de enaltecer.

Artigo escrito pela colaboradora Vanessa Cardoso.  Quem tiver interesse em colaborar connosco saiba mais aqui.
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