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domingo, 30 de outubro de 2011

A politica do filho único e os seus problemas

O cidadão 7.000.000.000, cujo nascimento está anunciado para a próxima segunda-feira, já teria nascido há cinco anos se a China não tivesse imposto à sua população a política de "um casal um filho", realçam demografos chineses.

Pelas contas do governo chinês, o drástico controlo da natalidade imposto há três décadas impediu cerca de 400 milhões de nascimentos e se não tivesse sido aplicado, em vez de 1,340 milhões de habitantes - o número apurado no final de 2010 - o país já teria ultrapassado os 1.700 milhões.
O "efectivo controlo" do crescimento populacional "aliviou a pressão sobre os recursos e o ambiente e criou uma base relativamente sólida para o firme e rápido desenvolvimento económico e social da China", disse o diretor do Gabinete Nacional de Estatísticas, Ma Jiantang, ao apresentar os resultados do último Censo.

Tibetanos, mongóis, uigures e as outras 52 minorias étnicas do país, que no conjunto representam oito por cento da população, estão isentas de seguir a política de "um casal, um filho".
O contributo chinês para atrasar a "sobrepopulação do planeta", tema muito destacado nos últimos dias pela imprensa oficial, teve, contudo, um elevado preço e segundo alguns analistas, aquela política é "uma bomba de relógio demográfico".
Em 2010, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, ultrapassando o Japão, mas o seu Produto Interno Bruto per capita ronda apenas os 4.500 dólares - menos do que Cabo Verde, por exemplo.

Ao contrário do que aconteceu na Europa e no Japão, a China começou a envelhecer antes de se tornar rica.
Os chineses com mais de 60 anos (a idade da reforma) já representam 13,2 por cento da população, apenas menos 3,3 pontos dos que têm menos de 14 anos, e em 2050, a percentagem chegará a 34 por cento - mais de um terço!
O país onde vive hoje 19 por cento da humanidade terá então um quarto de toda a terceira idade do planeta e a sua população ativa descerá para 750 milhões, quase menos 200 milhões do que em 2011.
Alem de abortos e esterilizações forçadas, denunciadas nomeadamente pelo advogado Chen Guangcheng, a imposição da política de "um casal, um filho" provocou uma acentuada diferença entre o número de homens e de mulheres.
Dada a tradicional preferência por filhos do sexo masculino, os únicos que perpetuam o apelido da família e apoiam os pais na velhice, muitos casais interrompem a gravidez se o feto for do sexo feminino.

Oficialmente, por cada 100 raparigas nascem 118 rapazes, quando o ratio considerado normal é de 103 para 107, e dentro de poucos anos, haverá mais vinte milhões de homens do que mulheres.
O "egoísmo" ou "ultra-individualismo" detectado entre os mais de cem milhões de filhos únicos nascidos entretanto na China - "pequenos imperadores", que cresceram rodeados da atenção dos pais e avós - é outra "preocupação social".
De acordo com a lei, um casal em que os dois cônjuges são filhos únicos poderá ter um segundo filho, mas muitos dizem que não querem ter nenhum.

Fonte: Diário de Nóticias
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